sábado, 21 de janeiro de 2012

"Sou a cigarra cantadeira

de um longo estio que se chama Vida."


Leitor,

Aqui em Cambridge, me pergunto muito, como me perguntava antes, mas agora acho que mais e mais, por que a exclusão? Por que a educação não é para todos?

A escritora goiana, Cora Coralina, ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, não concluiu os estudos. Era pobre demais. Era relegada demais. E pela própria família.

Achavam que era feia, que era boba, que era incapaz. Em seus poemas, ela vai mencionar inúmeras vezes, e com imenso carinho, a mestre que lhe ensinou as primeiras letras. Vai ver que o afeto exerce papel fundamental na formação de um aluno. Vai ver.

Quando fui à Cidade de Goiás, onde Cora viveu até morrer - depois de voltar de São Paulo, para onde fugiu para se ver livre da família-, a escritora tinha morrido há um ano. A casa sobre o rio estava lá, o chão era de terra batida, uma pobreza inacreditável. Depois foi um político e enfeitou a casa e não sei mais como ficou.

Eu estava a poucas horas da Cora, mas não sabia da sua existência. Como eu queria tê-la visto pessoalmente! Só fui descobrir Cora de verdade quando fui prestar vestibular e um dos livros exigidos era Vintém de cobre - Meias-confissões de Aninha.

Nunca mais Cora saiu de mim. Gosto de cigarras e de formigas. E acho que a poesia de Cora torna a vida mais c-o-r-a-l-i-n-a.

Até!
Rosane.
Cambridge, 21 de janeiro de 2012.

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